DWIH: ciência e inovação pontuando estratégias e parcerias mundiais

© Felipe Mairowski/DWIH São Paulo

Nesta entrevista, o diretor de Comunicação do DAAD e da rede DWIH, Dr. Michael Harms, explica por que as parcerias e iniciativas nas áreas de inovação e ciência são tão importantes para o desenvolvimento dos DWIHs.

Para as cinco unidades do Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH), que estão presentes em locais estratégicos mundialmente (Nova York, Tóquio, Nova Delhi, Moscou e São Paulo), tanto a inovação quanto a ciência formam a base de suas iniciativas e estratégias. O escritório central, que fica em Bonn junto ao DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico), desenvolve os centros como uma rede global e plataforma de networking.

Qual o foco principal do trabalho do DWIH para desenvolver uma rede global e uma plataforma de networking?

Os cinco DWIHs apoiam cientistas, pesquisadores e empresas alemãs, bem como seus respectivos parceiros no intercâmbio internacional e interdisciplinar. Os cientistas podem usar os DWIHs como plataformas para atravessar fronteiras nacionais e estabelecer colaborações bilaterais na área científica. Entre outras coisas, contamos, com um programa abrangente de eventos, desde reuniões focadas em temas especializados a competições científicas. Essas iniciativas, frequentemente realizadas em cooperação com parceiros nos respectivos países, oferecem boas oportunidades para novos contatos e cooperações.

Por que a participação em um evento como o Congresso de Inovação é importante para o trabalho do DWIH? Quais desenvolvimentos positivos podem resultar disso?

Na sua sétima edição, o Congresso de Inovação, organizado pela AHK São Paulo e apoiado, de forma substancial, pelo DWIH São Paulo desde a sua primeira realização em 2013, oferece aos participantes um fórum para discutir as tendências atuais no cenário brasileiro de inovação. No calendário de atividades do DWIH São Paulo, representa um evento central, oferendo aos cientistas uma oportunidade de encontro com representantes da área econômica e do governo e a troca de opiniões além das fronteiras nacionais e profissionais. Eventos como esse, na interface da ciência e da indústria, são muito relevantes para o DWIH, porque os temas de pesquisa podem ser discutidos também com foco na aplicação.

No Congresso de Inovação, o DWIH São Paulo possibilita a vinda de palestrantes da Alemanha. Como avalia este tipo de contribuição?

O DWIH contribui com sua experiência científica ao convidar como palestrantes pesquisadores e cientistas de renome dentro de nossa ampla rede. Ao todo, 21 instituições de pesquisa e universidades alemãs apoiam ativamente a programação do DWIH São Paulo, interligando seus conhecimentos e habilidades. Ao mesmo tempo, também se beneficiam de eventos como o Congresso de Inovação, visto que os participantes podem experimentar, de forma profunda, o quão vital e atual é o cenário de inovação no Brasil, especialmente o cenário das startups.

Qual o significado e o potencial da participação do DWIH em uma competição como a Startups Connected?

As startups científicas recebem atenção especial do DWIH porque constituem elementos importantes em um ecossistema de inovação. As empresas iniciantes fornecem a transferência direta de conhecimento de pesquisa para a cadeia de valor agregado. Nessa área – transferência de tecnologia, promoção de startup e utilização de conhecimento – podemos aprender muito uns com os outros em uma cooperação internacional. O DWIH São Paulo financia um programa de uma semana de duração com muitas informações para a startup selecionada na categoria “Alemanha”, com visitas a instalações de pesquisa e potenciais clientes. Dessa forma, o vencedor terá acesso fácil a um novo mercado e, ao mesmo tempo, poderá trocar ideias sobre o tema fundação e transferência de pesquisas em um contexto internacional.

Como avalia o trabalho e o potencial do DWIH na promoção da inovação, da ciência e de startups?

Não apenas aqui em São Paulo, mas em toda a rede DWIH, estamos experimentando um interesse crescente em torno do conceito de “incubação”, ou seja, como apoiar a transferência de conhecimento de pesquisa em aplicações e produtos. Por isso, estamos abordando o assunto através de eventos realizados também em outras localidades, por exemplo, em Nova Délhi e Moscou, e queremos intensificar isso ainda mais no futuro. Um grupo-alvo relevante é o de jovens cientistas com ideias inovadoras, para os quais gostaríamos de aumentar a conscientização em relação ao tema empreendorismo em contexto internacionai.

Qual a importância desse trabalho para a sociedade e o progresso da ciência?

As soluções para as principais questões globais do futuro só podem ser encontradas através da cooperação internacional. Os DWIHs criam uma base para um intercâmbio internacional e interdisciplinar sobre essas questões. Consideramos importante que o conhecimento da pesquisa esteja disponível para um público mais amplo. Isso se torna mais primordial, visto que a liberdade da ciência está sendo pressionada e o ceticismo no que tange à pesquisa tem se generalizado. Nós do DWIH, queremos também promover a liberdade da ciência e fortalecer o intercâmbio internacional dos resultados de pesquisas.

Por Ana Paula Katz Calegari