Mundo digital: os novos cenários para o mercado de trabalho

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A era digital influencia o mercado de trabalho e os hábitos de profissionais de diversas áreas, por isso é preciso preparar o ser humano para viver e trabalhar nesse universo digitalizado.

A transformação e evolução das profissões

Na velocidade em que o mercado de trabalho está se transformando, principalmente por conta da era digital, podemos dizer que as profissões que conhecemos e vivenciamos hoje serão realidade do passado.  Ou seja, em um futuro breve, tudo indica que dezenas de atividades estarão extintas ao passo que outras serão criadas para suprir uma nova demanda. E todas estas mudanças possuem um ponto em comum: a Quarta Revolução Industrial. Esse conceito, que surgiu na Alemanha durante a Feira de Hannover em 2011, está relacionado às chamadas fábricas inteligentes, determinadas pelas tecnologias digitais, como internet das coisas, big data e inteligência artificial. Se por um lado, muitos acreditam que a máquina irá substituir a mão de obra humana, outros afirmam que apenas vivenciaremos uma transformação e evolução das profissões.

 

7º Diálogo Brasil-Alemanha: "Working and learning in a digital world"

7º Diálogo Brasil-Alemanha: "Working and learning in a digital world"

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Essa crescente onda da digitalização nos mais diversos setores, juntamente com seus desafios, faz com que o debate sobre as tendências e as diversas formas de pesquisa nessa área se tornem essenciais. Para contribuir com essa nova realidade que aconteceu o 7º Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação “Working and learning in a digital world”.  Realizado em outubro de 2018, o evento, que pontuou os principais cenários de adequação da mão de obra na era digitalização com a presença de 15 especialistas do Brasil e da Alemanha de diversas áreas, foi organizado pelo Centro Alemão de Ciência e Inovação São Paulo (DWIH São Paulo), em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Entre muitas projeções e dúvidas sobre quais serão as áreas mais afetadas com a perda de postos de trabalho ou que tipo de ocupações irão “sobreviver” em um mundo digital, um ponto ficou muito claro nas discussões entre os especialistas que participaram do evento: é preciso preparar os cidadãos para viver e trabalhar em um mundo digitalizado e grande parte dessa incumbência cabe ao Estado, por meio de políticas públicas.

O papel crucial das políticas públicas

Seguindo essa tendência, o keynote speaker do evento, professor Hartmut Hirsch-Kreinsen da TU Dortmund University, ressaltou o papel crucial das políticas públicas, no sentido de endereçar os desafios econômicos e sociais trazidos pelo ambiente da digitalização. “As políticas públicas devem incentivar a cooperação interdisciplinar entre empresas, universidades, instituições científicas e políticas, associações, sindicatos e a sociedade civil para promover a indústria 4.0. Elas têm também o papel de respaldar a transferência da visão da indústria 4.0 para as empresas, às vezes muito resistentes a mudanças em seu modo de operação. E devem ainda estimular a transferência de conhecimento de empresas high-tech para as low-tech – especialmente para as pequenas e médias empresas.”

Além dessas atribuições, o professor defende que os governos devem iniciar um debate com a sociedade sobre os desafios da indústria 4.0, além de cuidar para desbloquear o potencial tecnológico de uma maneira que beneficie a sociedade como um todo.

Alemanha X Plataforma Indústria 4.0

“Em meu país (Alemanha), o Estado historicamente teve um papel fundamental no estabelecimento de uma agenda de prioridades e de políticas de pesquisa e desenvolvimento. Tanto que lançou a Plataforma Indústria 4.0, a qual visa identificar as tendências e desenvolvimentos relevantes no setor manufatureiro e combiná-los para produzir um entendimento comum da indústria 4.0”, comentou Hirsch-Kreinsen sobre a importância que o
Estado teve em seu país, liderando a transição para a digitalização.
Ele é membro do conselho científico da Plataforma Indústria 4.0. “Entendo que o estabelecimento de uma agenda também deve envolver as empresas e os sindicatos, pois são parceiros e forças influenciadoras.”

Opiniões de como encarar e lidar com a era digital no ambiente de trabalho:

“Segundo especialistas que participaram do 7º Diálogo Brasil-Alemanha, as máquinas poderão assumir certas tarefas em diferentes tipos de trabalho, mas não todas. A digitalização está modificando os empregos e não os substituindo. Além disso, temos ouvido falar de profissões inéditas, como Sustainable Manager, Data Miner, Online Reputation Manager, só para citar algumas. O principal nessa nova realidade é assegurar o crescimento econômico, o bem-estar social e as novas oportunidades de negócios.”
Martina Schulze, diretora do DWIH São Paulo
“Há dois grandes desafios para a transformação do trabalho: em primeiro lugar, uma divergência numérica entre as perdas de emprego a curto prazo e a criação de novos empregos a longo prazo. Em segundo, uma divergência entre os perfis das habilidades requeridas pelas tarefas substituídas e os perfis de habilidades requeridas pelas tarefas recém-criadas. Esse gap é uma forte justificativa para medidas intensivas de treinamento e desenvolvimento de competências em todos os níveis de habilidade.”
Hartmut Hirsch-Kreinsen, professor da TU Dortmund University
“O fato dessas tecnologias serem muito iniciais, ou seja, não terem completado ainda seu ciclo de maturação, significa que há muita dificuldade para mensurar o real impacto delas. Os dados disponíveis são discrepantes. Há estudos que preveem a extinção de milhões e milhões de postos de trabalho; outros indicam que a geração de empregos será suficiente para compensar os que foram fechados.”
Glauco Arbix, pesquisador do Observatório da Inovação da Universidade de São Paulo (USP)

Mais sobre a era digital no universo do trabalho

Revista “Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação” (2019) – Nº 07 aqui!