Covid-19: pesquisadores desenvolvem modelo estatístico regional de infecção da doença

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Como a propagação do coronavírus pode ser demonstrada e até prevista em âmbito regional, sendo que em muitos locais não há informações precisas sobre a propagação do vírus? Físicos, cientistas cognitivos e matemáticos do Centro de Pesquisa Colaborativa Data Assimilation (SFB 1294) da Universidade de Potsdam (UP), na Alemanha, parecem ter encontrado uma resposta para essa indagação.

O modelo usado pelos cientistas da UP leva em consideração a relação de exposição das pessoas à covid-19, no contexto do território alemão, onde a pandemia é fortemente marcada por números regionais diferentes. No chamado Modelo SEIR, a população é dividida em quatro grupos: os indivíduos infectados (I= infectados), pessoas que estão suscetível à doença (S= suscetíveis), aqueles que superaram a doença, os recuperados (R = Recuperado) e, por fim, o grupo mais difícil de definir e de coletar dados, os indivíduos que foram expostos ao vírus, mas ainda não apresentaram sintomas e estão em período de latência (E = expostos).

“Esse último grupo [expostos] dificulta a previsão e a contenção da epidemia, porque elas podem contaminar outras pessoas mesmo antes do aparecimento dos sintomas”, destaca a nota da universidade sobre a publicação do estudo.

O modelo dos pesquisadores do SFB 1294 mostra todos os quatro grupos em sua dinâmica. No estudo, um parâmetro do modelo importante é a taxa de contato, ela determina a probabilidade de infecção de um indivíduo suscetível ao encontrar uma pessoa infectada. Com a ajuda do chamado Filtro Ensemble Kalman — um algoritmo usado em problemas com um grande número de variáveis — o modelo pode ser adaptado dinamicamente às séries temporais dos números de casos observados.

No entanto, esse modelo matemático só é confiável com um pequeno número de casos e, portanto, também é adequado, em geral, para análises e previsões em âmbito regional. O estudo ressalta a importância de monitorar as tendências regionais, além das nacionais, onde muitas vezes, devido ao número relativamente pequeno de casos, é quase impossível fazer um rastreamento. Os pesquisadores já divulgaram seus resultados no “medRxiv”, um site de artigos da área de ciências médicas com publicações que ainda não foram divulgadas em revistas científicas.

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