Nos bastidores: organizando um Falling Walls Lab sob condições extraordinárias

© Falling Walls Foundation

Christina Stahlbock, organizadora local dos Falling Walls Lab em Gaza e em Birzeit, conta como é organizar um Lab na Palestina — com veículos blindados e outros desafios.

Falling Walls: Quantos Labs você já organizou e o que motivou você a organizar Labs locais?

Christina Stahlbock: Eu organizei meu primeiro Lab em 2014, junto ao Escritório do DAAD em Cairo. Antes disso, nós tínhamos organizado feiras científicas para estudantes e jovens pesquisadores, e gostávamos de experimentar com formatos inovadores para comunicar a ciência e a pesquisa. O DAAD promove o Research in Germany, então toda a ideia por trás do Falling Walls Lab acabou caindo como uma luva, em especial o fato que o vencedor ganha a oportunidade de viajar para Berlim, e participa não apenas da Final, mas também de todos os eventos que a compõem — isso tem simplesmente o poder de transformar a vida de jovens pesquisadores do mundo todo.

Desde então eu organizei outros quatro Labs, trazendo esse formato comigo para a Palestina quando eu assumi o Escritório do DAAD em Jerusalém Ocidental em 2016. O meu objetivo era não apenas organizar um Lab na Cisjordânia, mas também em Gaza, e eu fico muito satisfeita em termos percebido isso logo antes de eu deixar meu posto na Palestina. Esse foi o presente de despedida perfeito. Agora já estou pensando no sexto Lab na quarta localização diferente, isso só no escopo do meu novo cargo — veremos o que é possível.

Falling Walls: Que desafios locais você teve que enfrentar, e como você os superou?

Christina Stahlbock: Pode ser às vezes difícil encontrar um bom número de participantes qualificados. Apesar daqueles que se candidatam serem, na maior parte das vezes, excelentes estudantes ou pesquisadores, a habilidade de apresentar a ideia deles para um público e criar uma animação em torno dessa ideia ainda é incipiente. Barreiras linguísticas contribuem para isso, naturalmente.

Minha experiência mais desafiadora foi sem dúvida organizar o Lab em Gaza. Entrar e sair da Faixa de Gaza pode ser muito desagradável. A situação da segurança é muito instável, e cada visita requer uma preparação especial e várias autorizações. Uma vez até acabamos adiando o evento em cima da hora. Por sorte, nós tínhamos uma firme rede de apoio, composta por parceiros locais que vivem essa realidade todos os dias e sabiam como reagir. A segunda tentativa foi um sucesso, e ver o quanto participar de uma comunidade internacional significou para os participantes, para o júri, os parceiros e a plateia — que geralmente ficam muito isolados — fez valer a pena.

O dia inteiro foi uma aventura singular. Eu até organizei um sistema de caronas em blindados, junto com meu colega da Konrad-Adenauer Stiftung, que fazia parte do júri. O maior desafio será o vencedor viajar para Berlim. O muro de liberdade de viagens para os residentes de Gaza infelizmente ainda não caiu.

Falling Walls: Qual é a relevância que formatos como o Falling Walls Lab têm no seu país?

Christina Stahlbock: Expor jovens inovadores a redes globais pode ser uma experiência que transforma vidas. Você acompanha os egressos dos seus Labs e vê como eles levam suas ideias adiante e começam a pensar a nível internacional. O Lab é com frequência o primeiro passo em direção a estudar ou trabalhar no estrangeiro. Mesmo no caso daqueles que não vencem, ter a chance de apresentar suas ideias na frente de um júri, sair da sua zona de conforto e ser parte dessa iniciativa maravilhosa, isso é um trunfo.

Fonte: Falling Walls Fragments