Brasileira-americana se apresenta na final do Falling Walls

© Acervo pessoal

Mariana Lanzarini-Lopes, doutoranda em engenharia ambiental pela Universidade do Estado do Arizona, venceu o Falling Walls Lab de seu estado com um projeto com potencial de ajudar os 2 bilhões de pessoas no mundo que não têm acesso a água limpa. O mais surpreendente é como ela quer fazer isso: por meio de lâmpadas LED.

Como você soube do Falling Walls Lab e o que te levou a participar?

Ouvi falar do Falling Walls através do meu laboratório de pesquisa na Arizona State University. Eu já havia feito um trabalho de pesquisa como parte do Nano Technology Enabled Water Treatment Center, financiado pela NSF (National Science Foundation). Após o discurso, meu orientador recomendou que eu me candidatasse para competir no Falling Walls Lab. Quando comecei a pesquisar o que era, fiquei muito entusiasmada! Honestamente não consigo acreditar que venci e estou indo à Alemanha para conhecer todos os outros concorrentes e contar às pessoas sobre minha pesquisa em um cenário internacional.

Fale sobre o seu projeto.

Minha pesquisa se concentra no aumento da distribuição de luz de LEDs para tratamento de água e desinfecção de superfícies. Para isso, as fibras ópticas nano-ativadas emitem radiação ultravioleta lateralmente. As fibras ópticas são de vidro fino e flexível, tradicionalmente usadas para levar TV ou Internet às casas das pessoas. Elas são realmente boas em conduzir essa luz, assim como uma mangueira faria com água. Agora, usando nanopartículas, estamos basicamente fazendo buracos na mangueira, para que a água (neste caso, a luz) vaze pelas laterais. Essa luz vazando, por sua vez, é usada para desinfecção.

Qual é o impacto que seu projeto traz para os dias de hoje?

Meu projeto tem o potencial de prevenir doenças transmitidas pela água causadas pelo crescimento biológico na superfície de tubulações. Essas doenças podem contaminar a água potável após o tratamento. Isso é especialmente um problema para hospitais, onde os pacientes têm sistemas de baixo nível de imunidade. Minhas fibras ópticas brilhantes fornecem um efeito germicida às superfícies, para que bactérias patogênicas não possam se fixar, crescer e se multiplicar.O mesmo conceito pode ser aplicado à esterilização de superfícies de grandes tanques de armazenamento de água. A capacidade de distribuir luz de 1 ou alguns LEDs através de um tanque inteiro torna essa visão econômica e viável.

Como você se sente, tendo vencido o Falling Walls Lab Arizona? O que você espera da final em Berlim, e quais são suas perspectivas para o futuro?

Estou muito entusiasmada com algumas coisas. Já há muito tempo eu queria ir a Berlim para explorar a cidade e ver os restos do muro. Mas também mal posso esperar para conhecer os concorrentes e ver o trabalho incrível que está sendo feito em todo o mundo. Quando você coloca tantas pessoas que se empolgam em tornar o mundo melhor, cada uma à sua maneira, é inevitável que surjam conversas muito proveitosas. E quem sabe, talvez eu desenvolva algumas colaborações!

No meu ponto de vista, existem duas opções para o meu futuro. Eu adoraria desenvolver essa tecnologia para fins comerciais, para que eu veja se concretizar o potencial de transformação nas indústrias e nas pessoas ao redor do mundo.

Mas também sou muito instigada pela academia, de fato, sou professora! A capacidade de realizar pesquisas de impacto e continuar a quebrar as barreiras dos problemas atuais está se esgotando. Por isso, e por ter a oportunidade de orientar e ensinar alunos de todos os níveis a serem pensadores críticos, esse me parece ser o trabalho ideal.