Evento Digitalização e Democracia explora elos entre política, comunicação e mídias sociais

Série de painéis e workshops organizados por FGV DAPP, FGV Direito Rio e Embaixada da Alemanha no Brasil, em parceria com o DWIH São Paulo, juntamente com seus cooperadores FU Berlin e TUM, abordou discussões sobre a sociedade em rede.

A Diretoria de Análise de Políticas Públicas (FGV DAPP) e a Escola de Direito do Rio de Janeiro (FGV Direito Rio), da Fundação Getulio Vargas (FGV), e a Embaixada da República Federal da Alemanha em Brasília, em parceria com o Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH São Paulo), a Universidade Livre de Berlim (FU Berlin) e a Universidade Técnica de Munique (TUM), realizaram a série de painéis e workshops “Digitalização e Democracia” entre os dias 7 e 9 de agosto, na sede da FGV, no Rio de Janeiro. O projeto faz parte do Fórum de Democracia Europa-Brasil, uma série de conferências e palestras sobre o futuro da democracia e do Estado de Direito, que a Embaixada da República Federal da Alemanha em Brasília está organizando.

Nos três dias do evento, a discussão permeou política e tecnologia, passando por outras questões importantes, como a estrutura das sociedades modernas, questões sociais que afetam a vida das pessoas, educação e os diferentes formatos de comunicação que existem atualmente.

A esfera pública digital e a sua compreensão foram destrinchadas no primeiro dia. O painel contou com a participação de Stefan Brink, comissário para a proteção de dados do Estado Federal de Baden-Württemberg, e de Orestis Papakyriakopoulos, da Universidade Técnica de Munique, que abordaram o assunto sob a perspectiva internacional, trazendo experiências voltadas à democracia alemã. Além deles, Fernando Gallo contribuiu para o debate do ponto de vista do Twitter enquanto plataforma digital, e Dennys Antonialli, do InternetLab, mostrou o trabalho do centro de pesquisa. Vinícius Wu, pesquisador da FGV DAPP, moderou a mesa.

Jeanette Hofmann

 

Jeanette Hofmann, professora da Universidade Livre de Berlim (FU Berlin) e diretora da Fundação Alexander von Humboldt (AvH) para Internet e Sociedade, participou da edição de maio do Fórum de Democracia Europa-Brasil. Na ocasião, a temática “Digitalização e Democracia” ganhou sua primeira versão.

Se muitos colocam as ferramentas da era digital, em especial as mídias sociais, como um agente ativo e influenciador da democracia nos dias atuais, na contramão dessa teoria, Hofmann acredita que as mídias sociais não ditam este comando. Em entrevista ao DWIH São Paulo, ela falou sobre os principais dilemas dessa temática. Leia entrevista na íntegra aqui!

Nos workshops da tarde, o DAPP Lab (grupo de pesquisa da FGV DAPP) tratou da metodologia de trabalho da Diretoria para o monitoramento das redes sociais, bem como os desafios das suas análises.

A regulação do debate online pautou o painel do segundo dia, em que Mônica Rosina, do Facebook, respondeu perguntas sobre o trabalho da plataforma com os dados dos usuários e as preocupações com a veracidade de informações. “Segurança para nós é um princípio muito importante, então vamos remover o que achamos que fere isso”, apontou Rosina. Completaram o painel Luca Belli, da FGV Direito Rio, Ingo Sarlet, da PUCRS, Anja Kovacs, do Internet Democracy Project India, Fábio Leite, da PUC-Rio, e o moderador foi Pieter Zalis, da Universidade de Amsterdam. Ciência de dados e cidadania digital foram os temas dos workshops da tarde, que incorporaram diferentes perspectivas dos assuntos e responderam os questionamentos do público.

No último painel, o coordenador de pesquisa da FGV DAPP Amaro Grassi falou sobre os desafios das últimas eleições e as perspectivas futuras, com base nas experiências da Sala de Democracia Digital, projeto da Diretoria que analisou o cenário político no processo eleitoral de 2018. “O que podemos afirmar é que as redes impactam na qualidade do debate público, que perde muito com a desinformação. Tudo indica que as campanhas daqui para frente vão ser muito diferentes. Não significa que a TV e o rádio não tenham mais importância, mas há outras plataformas também cruciais para a informação”, afirmou Grassi.

No entanto, o palestrante Lucas de Aragão, da empresa de consultoria política Arko Advice, afirmou que os brasileiros ainda estão um pouco distantes dos assuntos políticos, mas que as redes têm colaborado para mudar esse processo: “o brasileiro não entende bem o que pode cobrar das autoridades. A nossa sociedade começa agora a buscar um melhor entendimento cívico. Vejo mais pessoas falando de política”, opinou Aragão.

Também participaram da mesa Francisco Brito Cruz, do InternetLab, Markus Beckedahl, do netzpolitik.org, e Pablo Porten-Cheé, do Instituto Weizenbaum, moderados por Tiago Rogero, da coluna do Ancelmo (Jornal O Globo). À tarde, os workshops falaram de algoritmos, inteligência artificial e liberdade individual, apresentados sob as perspectivas europeia, brasileira e asiática; e do papel do Estado na regulação da desinformação, contrapondo legislações da Alemanha e do Brasil.

Fonte: FGV DAPP

Acompanhe alguns painéis em vídeo

  • Assista na íntegra o painel A esfera pública digital: como a digitalização afeta o funcionamento da democracia? (07/08)
  • Assista na íntegra o painel Regular ou não regular o discurso online: fortalecendo a democracia na Era Digital(08/08)
  • Assista na íntegra o painel O impacto das mídias sociais nas eleições: fato, ficção, futuro (09/08)