Do pó à tempestade

© Léo Ramos Chaves/Fapesp

Uma parceria Brasil-Alemanha, entre o Inpe e o Instituto Max Planck de Química, tem como objetivo investigar os processos de formação das tempestades da Amazônia. O projeto, denominado Cafe, foi tema de uma matéria da Revista Pesquisa Fapesp.

A Revista Pesquisa Fapesp  (edição 275 de janeiro 2019) publicou uma matéria de Igor Zolnerkevic sobre uma parceria Brasil-Alemanha, que traz um projeto  com aeronave alemã que vai investigar como nanopartículas produzem temporais na Amazônia! Denominado Cafe, sigla em inglês para Experimento de Campo de Química da Atmosfera, o projeto faz parte de uma cooperação entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Max Planck de Química.

Matéria Fapesp: Do pó à tempestade

A descoberta surpreendente de que as nuvens de tempestade na Amazônia se formam de uma maneira diferente do que ocorre em outras partes do globo virou de ponta-cabeça algumas das noções básicas da meteorologia. À primeira vista, as nuvens sobre a maior floresta equatorial do mundo parecem ser como as de qualquer outro lugar: um enxame de gotas-d’água e cristais de gelo suspensos no ar. As gotas surgem e crescem quando o vapor-d’água na atmosfera se condensa na superfície de partículas de fumaça e poeira microscópica carregadas pelos ventos, os chamados aerossóis. Como as fontes de aerossol estão normalmente no solo, seria esperado que a concentração dessas partículas diminuísse com a altura. Porém, entre 2014 e 2015, duas grandes campanhas de observação científica com a participação de brasileiros e estrangeiros, as missões GOAmazon e Acridicon-Chuva, registaram o contrário.

Na Amazônia, a maior concentração de aerossóis não está próxima do solo, mas acima do topo das maiores nuvens, a cerca de 15 quilômetros (km) de altitude, segundo estudos produzidos pelos participantes dos experimentos. Os trabalhos também indicaram que a maior parte dessas partículas suspensas acima das nuvens tem um diâmetro inferior a 50 nanômetros. Em geral, partículas desse tamanho seriam consideradas pequenas demais para contribuir à formação das nuvens de chuva. Mas, novamente, a Amazônia é uma exceção à regra. Em um artigo publicado em janeiro de 2018 na revista Science, uma equipe de pesquisadores de instituições brasileiras, alemãs e norte-americanas das duas missões afirmou que esses aerossóis ultrafinos são um dos ingredientes fundamentais da formação das tempestades mais violentas da região.

Agora, para entender melhor esse achado, os meteorologistas Luiz Augusto Machado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que coordenou a missão Acridicon-Chuva, e Johannes Lelieveld, do Instituto Max Planck de Química, na Alemanha, iniciaram os preparativos do projeto Cafe, sigla em inglês para Experimento de Campo de Química da Atmosfera. “A nova missão está sendo desenhada com o objetivo de estudar esse material particulado ultrafino que descobrimos na alta atmosfera”, diz Machado. “Queremos saber quais são as fontes desse material, como ele é armazenado na alta atmosfera e trazido para baixo.”

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