Covid-19: estudo em cooperação Brasil e Alemanha está na corrida pelo tratamento contra a doença

© Divulgação Univates

No mundo, já são mais de 7 milhões de infectados pelo vírus e quase 408 mil mortes em decorrência da covid-19, de acordo com os dados de 8 de junho da Johns Hopkins University, dos Estados Unidos. Uma cooperação de pesquisa entre instituições do Brasil e da Alemanha está na corrida mundial pela busca da vacina ou tratamento contra a doença. Trata-se do projeto em conjunto da Universidade de Tübingen e da universidade gaúcha Universidade do Vale do Taquari (Univates), que estudam o comportamento do vírus SARS-CoV-2, responsável pela covid-19.

Os estudos teuto-brasileiros buscam entender o microrganismo e, com isso, sugerir novos tratamentos e medidas de prevenção.  Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) listou, no início de junho, 136 projetos com esse intuito.

“O principal desafio do nosso projeto é a identificação de um composto capaz de tratar a infecção por SARS-CoV-2 com menos efeitos colaterais para os pacientes”, salienta Stefan Laufer, diretor do Departamento de Química Medicinal na Universidade de Tübingen.

Para Luís Fernando Saraiva Macedo Timmers, professor do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBiotec) e coordenador da pesquisa na Univates, outro ponto que a pesquisa tentará descrever é se as diferentes mutações no genoma do SARS-CoV-2 podem estar relacionadas com taxas mais elevadas de transmissibilidade e/ou mortalidade.

Divisão das tarefas na pesquisa

Segundo o professor Laufer, a Univates será responsável pela análise comparativa dos genomas de SARS-CoV-2 – cerca de 8.000 amostras obtidas em diferentes partes do mundo. O estudo rastreará aspectos evolutivos do vírus e suas implicações na biologia estrutural para o desenvolvimento de vacinas e novas moléculas com agentes terapêuticos.

A Universidade de Tübingen, por sua vez, fornecerá um banco de dados de pequenas moléculas com potencial terapêutico, concentrando-se principalmente em inibidores de quinase, usado como fármaco em alguns tratamentos.

“A identificação de mutações nas proteínas [macromoléculas], envolvidas nos processos de virulência e invasão celular, será importante na busca de inibidores que possam funcionar em diferentes graduações virais”, destaca o acadêmico alemão.

No intuito de descobrir esses inibidores, serão aplicadas técnicas computacionais para selecionar os compostos mais promissores, que serão posteriormente avaliados com base em experimentos celulares.

Na visão de Laufer, a análise desses dados abre caminhos para descrever aspectos referentes à origem filogenética (uma espécie de árvore genealógica de organismos), bem como a relação do vírus com possíveis hospedeiros e a definição de prováveis substâncias estranhas ao organismo que possam desencadear a produção de anticorpos. Essa linha de estudo é preponderante para a detecção rápida da doença e o desenvolvimento de vacinas.

Resultados já apresentados

“Até o momento, por meio das análises computacionais, identificamos que diversas proteínas do genoma do vírus SARS-CoV-2 apresentam taxas de mutações elevadas em regiões próximas aos sítios ativos [pequena região de uma enzima onde ocorrerá uma reação química]”, observa o professor Timmers, da Univates.

O acadêmico brasileiro acrescenta ainda que o próximo passo das análises computacionais, já em andamento, é o mapeamento de todas essas mutações nas estruturas das proteínas virais. “Esses resultados serão importantes para uma melhor compreensão dos aspectos de virulência e progressão da covid-19”, completa.

No momento, enfatiza Laufer, os dados coletados fornecem informações importantes sobre o SARS-CoV-2 com esclarecimentos sobre os processos de desenvolvimento de medicamentos e/ou formulação de vacinas. “No entanto, ainda estamos trabalhando nesses dados”, finaliza.